Cansei de sonhar, a partir de agora vou começar a viver. E viver da realidade. Não me alimentar de sonhos, nem os alimenta-los demais. Tentar me aproximar da realidade, construir objetivos concretos, sentimentos mais palpáveis. Viver a vida. "Viva la vida", como diria o Coldplay. Me afastar daquilo que me afasta de mim mesma. Da minha essência, daquilo que realmente eu quero me tornar. Esquecer pessoas, não tira-las completamente, simplesmente não reviver mais . Nada de relembrar momentos. O lema para 2013 será "FODA-SE". É o melhor que eu posso me desejar. Foda-se vocês que um dia resolveram aparecer na minha vida e depois sumiram. Foda-se atitudes incabíveis. Foda-se sonhos inalcançáveis. Foda-se a importância que um dia eu já dei pra você. Foda-se as decepções, frustrações. Foda-se todos vocês. Além disso, prometo que eu vou parar de ser tão otária quanto eu era em 2012.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
Fim do Mundo
Fim desse sofrimento, dessa angústia, desses dias que nunca acabam. Fim de tudo, fim pra mim. O dia em que tudo vai mudar, velhos ciclos terminam, novos começam. Quem sabe essa maré de azar vai embora, e que bons fluidos cheguem. Um dia para parar e pensar em tudo que você já fez. O que contribuiu, o que deixou de fazer. Dos momentos bons e ruins. Das felicidades e tristezas. Podia mesmo acabar o mundo literalmente, fim das eras, de histórias e de bilhões de vida. Mas se realmente acabar, isso não significa que melhore a situação do universo. E se cada um nós virássemos uma estrela no céu ou fossemos para o céu, ou mesmo o inferno, se não tem terra, como existirá o céu e o inferno? E se for como um dia normal. Essas noticias servem apenas para lembrarmos de dar mais valor a vida, que ela vale muito para acabar assim. Só tenho uma coisa a dizer: Boa sorte, champs! E cuide-se porque é no final que a gente vai realmente perceber quem estará ao nosso lado, mesmo se no final tudo terminar em um apocalipse zumbi.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Querências
Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais. Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes, ler mais. Sair mais. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Quero ser feliz, quero sossego. Quero me olhar mais. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais. Não quero esperar mais. Quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero ousar mais. Experimentar mais. Quero menos ”mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Fernando Pessoa
Sofrimento
(…) Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar. Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. (…) A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.
Carlos Drummond de Andrade
Enfim, Dezembro!
E que todas as boas intenções que pairam, utopicamente, sobre dezembro tornem-se um dia, de fato, realidade. Que todas as luzes que brilham frenéticas nessa época do ano sejam luzes no fim do túnel e sirvam como direção a quem de guia necessitar. Que os ventos que predizem a chegada de mais um ano sejam os bons ventos perfumados da primavera e que, nesse período, desabrochem junto às flores os nossos melhores sentimentos! Vem dezembro, vem manso, toca teus sinos em sintonia com o pulsar dos corações enfastiados, faz dessa melodia um acalento a quem pouco ou nada crê na vida, renova a esperança em quem espera um dia ‘o milagre’ acontecer. Seja esse milagre! Que o Natal seja mais que uma troca de presentes e comida farta, mais que um bom e esquecido velhinho descendo pela chaminé, que seja fé. Somente fé. Seja muito bem-vindo, senhor Dezembro! Pode entrar, a porta está aberta!
Caio Fernando Abreu
Eu gosto do não
"Eu gosto do claro, quando é claro que você me ama.
Eu gosto do escuro, quando é escuro com você na cama.
Eu gosto do não, se você diz: não viver sem mim.
Eu gosto de tudo, tudo o que trás você aqui.
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe.
Eu amo a demora, sempre que o nosso beijo é longo.
Adoro a pressa, quando sinto sua pressa em vir me amar.
Venero a saudade, quando ela está pra terminar.
Baby, com você já já.
Mande um buquê de rosas, rosas ao salmão.
Versos e beijos, e seu nome no cartão.
Me leve café na cama amanhã,
Eu fingo que não esperava…"
Adriana Calcanhoto
Ausência
"Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida. E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados. Para que eu possa levar uma gota de orvalho desta terra amaldiçoada. Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado. Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos. Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."
Vinicius de Moraes
Assinar:
Postagens (Atom)